Felca relata oito anos de bullying e fala sobre fobia social em vídeo publicado no Dia Mundial de Combate ao Bullying

Youtuber conta que foi agredido por colegas desde os 12 anos e anuncia palestras em escolas; pesquisa do IBGE aponta que 27,2% dos estudantes sofrem bullying recorrente.

Jimmy Macedo

Por

Educação
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O youtuber Felca publicou na madrugada desta terça-feira (20), Dia Mundial de Combate ao Bullying, um vídeo de pouco mais de uma hora em que diz ter sofrido bullying por cerca de oito anos e afirma ter fobia social. O vídeo, intitulado “fobia social”, marca a volta do influenciador paranaense ao YouTube depois de cerca de sete meses longe das redes.

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Agressões desde os 12 anos

Segundo o relato, as agressões começaram quando ele tinha 12 anos, em um colégio particular de Londrina (PR) que ele não identifica, e incluíam xingamentos, humilhações e violência física. O episódio mais grave, de acordo com Felca, foi um espancamento por cinco alunos mais velhos no banheiro da escola. “Não me bateram só até eu cansar, mas até eles cansarem”, disse no vídeo.

O influenciador conta que essas experiências marcaram a adolescência e dificultaram o convívio social. Depois de concluir a escola, disse aos pais que não conseguiria encarar uma faculdade. No vídeo, ele mostra o laudo de fobia social e relata que, já adulto, recorria ao álcool para enfrentar gravações e eventos públicos. Em uma dessas ocasiões, desmaiou ao chegar em casa e quebrou duas costelas.

Desafio e palestras em escolas

Felca anunciou o #SimFel, um desafio pessoal de três meses para enfrentar a fobia social, com metas como sair mais de casa e aceitar convites. Ele também pretende dar palestras gratuitas em escolas sobre os efeitos do bullying, com base na própria experiência.

O vídeo foi um dos assuntos mais comentados do X nesta terça. Parte do público esperava um posicionamento sobre o segundo turno das eleições, alimentado por uma mensagem enigmática publicada por ele nos dias anteriores, e criticou o momento da publicação. Outros usuários defenderam o influenciador por tratar de um tema pessoal e de interesse público.

Bullying atinge um em cada quatro estudantes

O relato ecoa um problema frequente nas escolas brasileiras. De acordo com a 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE em março de 2026 com dados coletados em 2024, 27,2% dos estudantes de 13 a 17 anos disseram ter sofrido bullying duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores à pesquisa. Outros 12,7% relataram ter sido humilhados ou ameaçados em redes sociais ou aplicativos, e 10% admitiram ter praticado cyberbullying.

O que diz a lei

Desde janeiro de 2024, a intimidação sistemática é crime no Brasil. A Lei 14.811/2024 incluiu no Código Penal o artigo 146-A, que prevê multa para o bullying e reclusão de dois a quatro anos, além de multa, quando a conduta ocorre pela internet, redes sociais, aplicativos ou jogos on-line. Já a Lei 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática e atribui às escolas o dever de adotar medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying.

Onde buscar ajuda: vítimas de bullying e seus familiares podem procurar a direção da escola, o Conselho Tutelar ou o Disque 100. Quem estiver passando por sofrimento emocional pode falar com o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188, de graça e 24 horas por dia, ou pelo site cvv.org.br. A rede pública também oferece atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Com informações do Metrópoles, Bonde, ND+ e IBGE.

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