Sete anos depois do incêndio na Boate Kiss

Homenagens, pedidos de justiça e marcas que não se apagam. Sete anos da segunda maior tragédia no Brasil, em número de mortes, causada por incêndio.




Tiago Guedes/RBS TV

Há exatamente sete anos, centenas de jovens perdiam suas vidas e sonhos. Tudo aconteceu na madrugada de um domingo, no dia 27 de janeiro de 2013. As chamas que tomaram a Boate Kiss noticiaram na época a morte de 242 pessoas e deixaram 636 feridos que, até hoje, possuem marcas que o tempo não apaga.

Era uma festa de universitários, de futuros pedagogos, agrônomos, médicos veterinários e zootécnicos, que se formariam pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, no Rio Grande do Sul. A tragédia ocorreu por causa de um incêndio, após um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira acender um Sputnik – artefato pirotécnico proibido em ambientes fechados.

Chamas e fumaças tomaram conta do teto e das paredes da boate, causando pânico, tumulto, provocando até pisoteamento no ambiente. Daquelas que não perderam suas vidas no dia do incêndio, sete morreram meses depois, ainda em decorrência dos problemas com a fumaça agonizante.

Homenagem e pedidos de justiça

Sete anos se passaram, mas as dores e marcas não se apagaram. Da noite do último domingo (26) à madrugada desta segunda (27), familiares e sobreviventes daquela virada noturna trágica realizaram homenagens e fizeram pedidos de justiça na cidade de Santa Maria (RS).

Os quatro réus ainda não foram julgados, entre eles, os integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos, o empresário Mauro Hoffmann e o dono da boate, Elissandro Spohr. O julgamento está marcado para o dia 16 de março deste ano.

Foto: Tiago Guedes/RBS TV

Durante a caminhada e vigília, 242 velas foram acesas e um grande coração foi pintado no asfalto, exatamente em frente à boate. Mães, pais e amigos reuniram-se em torno desse coração, além de orarem e pedirem por justiça. Os nomes das vítimas também foram pronunciados. A homenagem terminou com a exibição de mensagens em um telão.

‘Janeiro branco’: marcas de tragédia

Esta foi a segunda maior tragédia no Brasil em número de mortes em um incêndio, é o que aponta a Folha de S. Paulo. Em pleno “janeiro branco” – campanha que convida as pessoas a pensarem sobre suas vidas e saúde mental -, sobreviventes do incêndio deram depoimentos sobre as marcas que aquela madrugada deixou em seus corpos e principalmente em suas mentes.

Sobreviventes da boate Kiss. Foto: Derli Junior/Divulgação

A campanha realizou uma exposição fotográfica que ressalta a importância da saúde mental. São fotografias de marcas na pele acompanhadas de relatos do processo vivido pós-tragédia pelos sobreviventes. Um dos destaques por exemplo, é dado na importância de buscar ajuda psicológica e psiquiátrica desde o luto a outras etapas da vida.

O “janeiro branco” é uma campanha que carrega o nome de um mês, mas que deve ser abordado durante todo o ano – e a vida. É preciso ter consciência e empatia diante das dores do outro, seja ele próximo ou não. Depressão não é falta de Deus, ansiedade não é frescura, suicídio não é covardia e traumas não são sentidos por simples querer. Já perguntou como foi o dia de uma pessoa que você ama, e de quem você não tem tanta intimidade?

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Sobre Joedson Kelvin

Jornalista formado pela Universidade Federal do Cariri (UFCA). Fotógrafo experienciador que vê, escreve e sente, não necessariamente nesta ordem.

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