Pastor evangélico é preso suspeito de cometer abusos sexuais contra fiéis no Crato

Delegacia de Defesa da Mulher da cidade recebeu várias denúncias de mulheres que se apresentaram como vítimas do líder religioso. Suspeito negou as acusações e atribuiu a culpa às próprias vítimas, de acordo com delegada




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Um pastor evangélico de 48 anos foi preso nesta quarta-feira, 30, no Crato, suspeito de cometer abusos sexuais contra fiéis da igreja administrada por ele. Segundo a Polícia Civil, Daniel Medeiros Batista, que se define nas redes sociais como “pregador da palavra de Deus”, teria usado a condição de líder religioso para manter relações sexuais forçadas com mulheres que frequentavam a igreja Assembleia de Deus Ministério Pagiel, localizada no bairro Vila Alta.

O pastor era investigado pelos crimes há pelo menos duas semanas, depois que quatro vítimas protocolaram denúncias na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade. Em depoimento, uma delas relatou que sofria os abusos há mais de dez anos. Diante da gravidade das acusações e do conjunto de indícios apresentados pelas vítimas, a Justiça expediu mandado de prisão preventiva contra Daniel, que foi detido na casa dele, no mesmo bairro onde fica localizada a igreja.

Ao O POVO, a titular da DDM do Crato, Kamilla Brito, contou que “o alvo preferencial dele [do pastor] eram mulheres frágeis que tinham confiança na figura de um líder religioso”. Pelos depoimentos das vítimas, a delegada acredita que o número de vítimas pode ser ainda maior. “Pedimos que as mulheres por ventura abusadas procurem imediatamente a Delegacia de Defesa da Mulher para protocolar denúncia a nos ajudar nas investigações”.

Ainda segundo Kamilla, no depoimento que prestou na tarde desta quarta, 30, logo após ser preso, o pastor não só negou as acusações como atribui a culpa às próprias vítimas. 

Após o interrogatório, ele foi encaminhado à Perícia Forense de Juazeiro do Norte, de onde será levado para a cadeia pública logo após se submeter a exame de corpo de delito. O POVO não conseguiu localizar a defesa do pastor Daniel Medeiros até a última atualização desta matéria.

Violência contra a mulher – o que é e como denunciar?

A violência doméstica e familiar constitui uma das formas de violação dos direitos humanos em todo o mundo. No Brasil, a Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, caracteriza e enquadra na lei cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.

Entenda as violências:

Violência física: espancamento, tortura, lesões com objetos cortantes ou perfurantes ou atirar objetos, sacudir ou apertar os braços
Psicológica: ameaças, humilhação, isolamento (proibição de estudar ou falar com amigos)
Sexual: obrigar a mulher a fazer atos sexuais, forçar matrimônio, gravidez ou prostituição, estupro.
Patrimonial: deixar de pagar pensão alimentícia, controlar o dinheiro, estelionato
Moral: críticas mentirosas, expor a vida íntima, rebaixar a mulher por meio de xingamentos sobre sua índole, desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir

A Lei 13.104/15 enquadrou a Lei do Feminícidio – o assassinato de mulheres apenas pelo fato dela ser uma mulher. O feminicídio é, por muitas vezes, o triste final de um ciclo de violência sofrido por uma mulher – por isso, as violências devem ser denunciadas logo quando ocorrem. A lei considera que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Fonte: O Povo

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