Japão lança sonda para trazer à Terra amostras de Fobos, lua de Marte

A missão MMX decolou na segunda-feira (19) e deve devolver ao menos 10 gramas do solo da lua marciana em 2031.

Jimmy Macedo

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NotíciasCiência
Fobos, a maior lua de Marte, de formato irregular e cheia de crateras, sobre fundo preto
Fobos fotografada pela câmera HiRISE, da sonda Mars Reconnaissance Orbiter. Foto: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona
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A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) lançou na segunda-feira (19), às 16h41 (horário de Brasília), a sonda MMX (Martian Moons eXploration). O objetivo é pousar em Fobos, a maior das duas luas de Marte, coletar amostras do solo e trazê-las à Terra. Se a missão der certo, será a primeira vez que material do sistema marciano chega a laboratórios terrestres.

O foguete H3 decolou do Centro Espacial de Tanegashima, no sul do Japão, quando já eram 4h41 de terça-feira (20) no horário local. Segundo a JAXA, a separação da sonda foi confirmada cerca de 71 minutos após a decolagem, e a MMX foi colocada na órbita planejada.

Viagem de cinco anos

Com cerca de 4,5 toneladas, a sonda deve chegar a Marte em agosto de 2027, depois de cerca de dez meses de viagem. Lá, entra em uma órbita próxima a Fobos e passa um longo período mapeando a superfície em busca de pontos seguros para pousar. Deimos, a lua menor, será observada em sobrevoos.

A meta é recolher pelo menos 10 gramas de material de Fobos. A partida de Marte com as amostras está prevista para 2030, e a cápsula de retorno deve pousar na Austrália em 2031.

Rover europeu e instrumento da NASA

A MMX leva 13 instrumentos científicos. Entre eles está o espectrômetro MEGANE (palavra japonesa para “óculos”), fornecido pela NASA, que vai medir a composição química de Fobos, e um espectrômetro infravermelho da agência espacial francesa (CNES). A bordo segue ainda o pequeno rover Idefix, desenvolvido por França e Alemanha, que deve testar a locomoção em baixíssima gravidade na superfície da lua.

Por que Fobos

A origem de Fobos e Deimos, cujos nomes significam “medo” e “terror” em grego, ainda é debatida. Uma hipótese é que sejam asteroides capturados pela gravidade de Marte; outra, que tenham se formado a partir de detritos de um grande impacto no planeta. As amostras podem ajudar a resolver a questão e a entender como água e compostos orgânicos se distribuíram entre os planetas rochosos.

Fobos tem cerca de 27 quilômetros em seu maior eixo. Tentativas anteriores de explorar a lua fracassaram, como as soviéticas Phobos 1 e Phobos 2, em 1988, e a russa Phobos-Grunt, em 2011. O Japão já trouxe à Terra amostras de asteroides com as sondas Hayabusa e Hayabusa2.

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