Conheça o Aratassauro Museunacionali, o mais antigo dinossauro do Cariri

Publicado hoje na Scientific Report, o animal viveu a cerca de 110 milhões de anos na nossa região

Reconstituição de Maurílio Oliveira

Fomos apresentados hoje ao Aratassauro museunacionali, mais nova espécie de dinossauro encontrada em Santana do Cariri-CE.

Em 2008, um minerador de Santana do Cariri descobriu uma pedra escura e encaminhou para o então museu de paleontologia de Santana do Cariri, hoje museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, para análise do material. Meses depois a Pesquisadora Juliana Sayão, em visita ao Cariri, recebeu a peça e começou a pesquisa, pois sabia que era um fóssil porém não de um pterossauro, comum na região. Anos de pesquisa colaborada entre a Universidade Regional do Cariri, Universidade Federal de Pernambuco e Museu Nacional foi descoberto o novo dinossauro o Aratassaurus museunacionalis.

A pesquisa foi publicada, hoje, na revista do Grupo Nature – Scientific Reports.

Segundo a pesquisadora Juliana Sayão, o Aratasaurus museunacionali contribui para que as instituições científicas entendam a história evolutiva dos terópodes, que compõem o grupo de dinossauros carnívoros que têm como representantes atuais as aves. “Dentro dos Theropoda, descobrimos que o Aratasaurus faz parte de um grupo denominado Coelurosauria, que inclui tanto o dinossauro brasileiro encontrado na mesma região chamado Santanaraptor, quanto os famosos Tyrannosaurus, velociraptores e até as aves atuais”, explica Sayão. A expectativa é que a descoberta desse fóssil e sua exposição no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens faça com que as atenções do meio paleontológico se voltem novamente para a Bacia do Araripe, estimulando a curiosidade das pessoas para conhecerem esse antigo habitante do Nordeste brasileiro.

Comparação de tamanho

O nome da espécie significa Nascido do fogo e é em alusão ao incêndio do Museu Nacional. O material estava no museu, mas não no palácio, durante a tragédia. Ara e ata – do tupi – nascido (ara) ata (fogo) + saurus (do grego, muito usado para denominar espécies de répteis recentes e fósseis.
museunacionali – é a parte homenageando o Museu Nacional.

Segundo a Paleobotânica Flaviana Lima, o ambiente onde viveu esse dinossauro era propício para Paleo incêndio vegetacionais.
Os pesquisadores afirmam, que mesmo coberto de penas a anatomia do animal indica de forma conclusiva que era uma “fera” terrestre.

O fóssil do Aratasaurus é compactado, algo não muito comum nos fósseis encontrados na região. Apenas uma das patas do animal está preservada, a direita traseira. “A forma como os ossos estão dispostos, articulados, levam a crer que ele provavelmente deveria estar mais completo antes de sua coleta”, acrescenta Renan Bantim, paleontólogo da Universidade Regional do Cariri. Apesar de incompleto, grande parte das peculiaridades anatômicas do Aratasaurus em relação aos outros dinossauros celurossauros está nos dedos (dígitos) da pata.

Embora à primeira vista pareça pouco, esses ossos guardam características anatômicas importantes para sua classificação e para entender sua evolução. Pelas dimensões da pata e recorrendo a espécies evolutivamente próximas que são mais completas, a equipe chegou à conclusão de que se tratava de um animal de médio porte, chegando aos 3,12 m e podendo ter pesado até 34,25 kg. Porém, pela análise da microestrutura de seus ossos, foi possível verificar que se tratava de um dinossauro juvenil, podendo crescer ainda mais até chegar na sua fase adulta. “Chegamos a essa conclusão analisando os anéis de crescimento que ficaram impressos nos ossos do Aratasaurus, contabilizando apenas quatro”, explica Rafael Andrade, Paleontólogo.

A anatomia do fóssil encontrado, principalmente a dos dedos do pé, indica que se trata de uma linhagem de dinossauro com origem mais antiga do que a que deu origem aos tiranossaurídeos. Isso também é novidade, pois embora os Coelurosauria tenham algumas formas icônicas, como o Tyrannosaurus rex, pouco se sabe a respeito da origem desse grupo de famosos dinossauros.

Depósito e Tráfico

Uma grande vitória para os pesquisadores da Universidade regional do Cariri, é que o fóssil ficará depositado no Museu de Paleontologia da instituição. “Não somos mais uma coisa primárias, temos 100 mil peças fósseis, um corpo de pesquisadores qualificados e uma boa produção científica que publica nas principais revistas científicas da área.” Afirma o professor Álamo Saraiva.

O professor da URCA foi questionado por nossa equipe como anda os investimentos para conter o tráfico de fósseis na região. O professor se mostrou preocupado pois afirma que o “tráfico de fósseis ainda é uma realidade na Bacia Sedimentar do Araripe”. Álamo afirma ainda que ficou mais precário o trabalho com o fechamento do escritório regional da Agência Nacional de Mineração (ANM). A burocratização ao acesso ao escritório, torna ineficaz a vigilância, não sendo viável para a população comum nem realizar uma denuncia. E essa acontecendo não seria investigada em tempo hábil para apreensão.

Curiosidades
– Embora não tenham sido encontradas penas fossilizadas associadas ao animal, entende-se que os indivíduos do grupo Coelurosauria já teriam rudimentos de penas, com filamentos.

– Embora seja de uma localidade próxima ao Santanaraptor, o Aratasaurus é mais velho, tendo entre 115 e 110 milhões de anos. Além disso, são de grupos de terópodes distintos.

– A identificação do estágio de desenvolvimento do Aratasaurus só pode ser feita graças a utilização de técnicas paleohistológicas, ou seja, a partir da observação de porções do osso em um microscópio. Isso permitiu que fossem identificadas linhas de crescimentos nos ossos, que trazem informações de quanto tempo o animal viveu até a sua morte.

– Assim como o Santanaraptor e o Angaturama, o fóssil do Aratasaurus está aqui no Brasil, especificamente depositado na coleção do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens em Santana do Cariri (Ceará), contribuindo com a preservação do patrimônio fossilífero brasileiro e estando à disposição de toda a população brasileira para conhece-lo de perto.

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Sobre Erika Souza

A menina louca. Deixo essa definição, pois meu entusiasmo pode parecer loucura. Atuo com comunicação, eventos e desenvolvimento pessoal. Com o convívio a gente se conhece mais.

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