Anvisa autoriza importação da vacina Sputnik V pelos estados do Nordeste

A autorização foi conferida em reunião da diretória colegiada da Agência. O imunizante indiano Covaxin também teve a importação liberada.




Brasil, Notícias

Em reunião colegiada da direção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), realizada na tarde desta sexta-feira, 04, decidiu-se favoravelmente à importação temporária da vacina Sputnik V, desenvolvida no Instituto Gamaleya. O imunizante russo contra a Covid-19 vinha aguardando autorização desde abril desde ano, quando a agência havia negado a possibilidade de importação. Votaram a favor, o relator da causa, Alex Machado Campos, a diretora Meiruze Sousa, o diretor Rômison Rodriguês Mota e o diretor presidente, Barra Torres. Por sua vez, Cristiane Jordão, titular da Terceira Diretória da Anvisa votou contrariamente a importação.

A decisão do órgão, porém, impõe restrições aos processos de importação e uso, ressaltando que ainda há necessidade de complementação de documentos e publicização mais ampla dos estudos clínicos. Entre as maiores restrições, indica-se que cada estado poderá adquirir diretamente, somente, o equivalente a 1% de sua população. Este dado torna-se bastante impactante, pois os nove estados do Nordeste detém intensões de compra que superam o volume de 60 milhões de doses, apenas o Ceará planeja comprar 5,8 milhões. Este quantitativo de doses permitiria o avanço da vacinação, reduzindo as chances de uma possível terceira onda de contaminações nos estados da região.

Contemporaneamente, a Sputnik V já é utilizada em 62 países, inclusive na América Latina. Argentina e Colômbia vem imunizando suas populações com esta vacina desde o início de 2021. Em linhas gerais, aponta-se que o uso geralmente tem caráter emergencial e conta com acompanhamento constante, a fim de assegurar uma contínua produção de dados sobre o imunizante em destaque. Nesta linha, indica-se que já se observou que a Sputnik V é eficaz contra variante brasileira do Covid-19.

A diretória colegiada da Agência também discutiu a importação da vacina Covaxin, desenvolvida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech. No caso da Covaxin, a aprovação integral poderia render ao Brasil cerca de 20 milhões de doses, volume que o Ministério da Saúde planeja importar e distribuir no Sistema Nacional de Imunização. Entretanto, o volume atualmente permitido para importação também está restrito a 1%, todavia, neste caso o percentual de cálculo recai sobre a totalidade da população brasileira. Assim, poder-se-á atingir o quantitativo de 4 milhões de doses.

O imunizante indiano já vem sendo usado em nove países ao redor do mundo, contando com autorização da agência reguladora indiana. Para a Covaxin também incorrem ressalvas, em especial com relação ao detalhamento dos estudos de fase três, questões ligadas ao pós uso, além do cuidado com relação ao público alvo. O placar de aprovação também foi de 4×1, tendo sido Cristiane Jordão a única diretora a votar em contrário a liberação.

Frisa-se que a autorização é excepcional e temporária, sendo concedida mediante a percepção de que os benefícios superam quaisquer danos que poderiam ser causados. Acrescenta-se que novos lotes destes imunizantes, que não estejam compreendidos no pedido observado hoje, necessitam passar por novo procedimento de análise.

Sobre Paulo Junior

Graduando em jornalismo pela UFCA. Um apaixonado por política, literatura e cinema. E-mail: [email protected]

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