A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) alertou o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o risco de queda da internet móvel durante o período eleitoral. Segundo a agência, uma liberação ampla do acesso aos dados poderia aumentar o consumo em um curto período e provocar sobrecarga nas redes.
O alerta foi apresentado após o ministro Cristiano Zanin solicitar uma avaliação técnica sobre uma ação apresentada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pelo Partido Verde (PV). As entidades defendem que a internet móvel seja liberada em todo o país nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores a cada turno das eleições.
CNTE e PV argumentam que as limitações dos planos pré-pagos podem dificultar o acesso dos eleitores a informações durante o período eleitoral. Quando a franquia de dados termina, a velocidade da conexão pode ser reduzida, enquanto alguns aplicativos continuam funcionando por meio de acordos com as operadoras.
A Anatel avalia que a liberação poderia aumentar o tráfego de dados, principalmente com atividades como downloads, reprodução de vídeos e transmissões ao vivo. De acordo com a agência, o aumento do uso poderia causar congestionamento das redes e prejudicar o sinal de celular, especialmente em áreas próximas aos locais de votação, onde há maior concentração de pessoas.
A agência também citou uma pesquisa realizada em 2025, segundo a qual cerca de 70% dos usuários de planos pré-pagos utilizam redes Wi-Fi para evitar o consumo da franquia de dados. Para a Anatel, ampliar o acesso à internet móvel não seria suficiente, por si só, para solucionar questões relacionadas à desinformação durante o período eleitoral.
O caso está em análise no STF, que deverá considerar os argumentos apresentados pelas entidades e a avaliação técnica feita pela Anatel.

